Wagner Moura revela interesses dos EUA nas terras raras do Brasil

Wagner Moura revela interesses dos EUA nas terras raras do Brasil
Wagner Moura revela interesses dos EUA nas terras raras do Brasil

Em novo episódio de Revelando, ator investiga as relações entre a família Bolsonaro e Donald Trump e alerta para interesses estrangeiros nas riquezas brasileiras. Enquanto isso, governo Lula aposta na industrialização e na proteção dos minerais estratégicos do país.

O ator Wagner Moura apresenta uma investigação sobre os interesses dos Estados Unidos no Brasil e os riscos que disputas internacionais podem representar para a soberania nacional. Lançado nesta sexta-feira, 16 de outubro, o sexto episódio da série jornalística Revelando, intitulado Pátria Submissa, aborda as relações entre a família Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump, com atenção especial às reservas brasileiras de terras raras.

A produção chega em um momento decisivo para a política econômica brasileira. Diante da crescente disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais estratégicos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a industrialização dos recursos minerais entre as prioridades de sua estratégia de desenvolvimento.

Em setembro de 2026, Lula sancionou a Lei nº 15.506, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A iniciativa busca ampliar a capacidade brasileira de explorar, processar e transformar essas matérias-primas em produtos industrializados, incentivando a geração de empregos, a inovação tecnológica e a agregação de valor dentro do próprio país.

Wagner Moura questiona aproximação entre Bolsonaro e Donald Trump

Em Pátria Submissa, Wagner Moura apresenta declarações e análises que colocam sob questionamento as relações políticas entre integrantes da família Bolsonaro e representantes do governo norte-americano.

A investigação traz uma entrevista exclusiva com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, conduzida em Brasília pelo jornalista Bruno Torturra.

Durante a conversa, Santos Cruz critica o que considera uma postura de submissão aos interesses dos Estados Unidos e discute as possíveis consequências de acordos políticos e econômicos para a autonomia brasileira.

O episódio também recupera declarações do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República em 2026, sobre o potencial do Brasil como fornecedor de minerais estratégicos para os norte-americanos.

Em março, durante a Conservative Political Action Conference (CPAC), nos Estados Unidos, Flávio afirmou que o Brasil poderia ajudar Washington a reduzir sua dependência da China no fornecimento de terras raras.

Posteriormente, em maio, o senador declarou que, caso eleito, buscaria estabelecer parcerias estratégicas de longo prazo com os Estados Unidos, envolvendo investimentos no setor mineral e cooperação industrial.

Para os responsáveis pelo documentário, essas declarações levantam preocupações sobre as condições em que os recursos brasileiros poderiam ser negociados. A interpretação de que existiria uma articulação contrária aos interesses nacionais, contudo, é uma acusação apresentada pela produção, não uma irregularidade comprovada.

Por que os Estados Unidos estão interessados nas terras raras brasileiras?

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de equipamentos tecnológicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas militares, dispositivos eletrônicos e componentes utilizados na indústria avançada.

Atualmente, a China ocupa uma posição dominante na cadeia internacional desses materiais, especialmente nas etapas de processamento e refino.

Essa concentração transformou as terras raras em uma questão estratégica para os Estados Unidos, que procuram diversificar seus fornecedores e reduzir a dependência chinesa.

O Brasil possui papel relevante nesse cenário.

Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o território brasileiro reúne aproximadamente 11,4 milhões de toneladas em reservas de elementos de terras raras, o equivalente a cerca de 14% das reservas mundiais estimadas naquele levantamento.

O país aparece na segunda posição mundial, atrás apenas da China.

Apesar desse potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios tecnológicos, industriais e de infraestrutura para transformar suas reservas em uma cadeia produtiva de maior valor agregado.

É justamente nesse ponto que a discussão sobre soberania ganha importância: não basta possuir riquezas naturais. É necessário definir como explorá-las, com quais parceiros negociar e quais benefícios econômicos e sociais permanecerão no país.

Governo Lula sanciona lei para fortalecer a indústria brasileira

Enquanto o documentário questiona os interesses estrangeiros sobre os recursos minerais do Brasil, uma medida recente do governo Lula estabelece diretrizes para ampliar o aproveitamento econômico dessas riquezas em território nacional.

Sancionada em 16 de setembro de 2026, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos busca incentivar a pesquisa mineral, a produção, o beneficiamento e a transformação industrial de matérias-primas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico.

A legislação também criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por coordenar políticas e acompanhar iniciativas prioritárias para o setor.

Entre seus objetivos estão o fortalecimento da indústria nacional, o estímulo à inovação, a atração de investimentos e a ampliação da participação brasileira nas cadeias globais de tecnologia.

A nova política prevê ainda mecanismos de acompanhamento de determinadas mudanças de controle societário e operações envolvendo ativos minerais estratégicos, com a finalidade de resguardar o interesse público.

A proposta não impede investimentos estrangeiros. Seu objetivo é estabelecer condições para que a exploração dos recursos minerais também contribua para o desenvolvimento produtivo brasileiro.

A implementação dessas medidas dependerá, entretanto, da capacidade de atrair capital, desenvolver tecnologias de processamento, formar profissionais especializados e assegurar padrões ambientais e sociais adequados.

Soberania brasileira entra no centro do debate político

A disputa pelas terras raras evidencia uma questão que ultrapassa governos e partidos: qual deve ser o papel do Brasil na economia internacional?

De um lado, estão as oportunidades de atrair investimentos e ampliar acordos comerciais com potências econômicas. De outro, existe a preocupação de que o país continue limitado à exportação de matérias-primas, sem desenvolver plenamente sua capacidade tecnológica e industrial.

As propostas apresentadas por diferentes lideranças políticas refletem maneiras distintas de enfrentar esse desafio.

O governo Lula defende, por meio da nova legislação mineral, uma estratégia de agregação de valor, industrialização e coordenação pública do setor. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem apresentado a aproximação econômica com os Estados Unidos como uma oportunidade de investimentos e cooperação industrial.

A diferença entre as propostas, suas condições de implementação e seus possíveis impactos sobre a economia nacional são pontos relevantes para o debate público.

No documentário, Wagner Moura e o general Santos Cruz questionam especialmente os riscos de uma política externa excessivamente alinhada aos interesses de uma única potência.

Revelando ultrapassa 144 milhões de visualizações

O episódio apresentado por Wagner Moura faz parte de uma série jornalística que alcançou grande repercussão nas plataformas digitais.

De acordo com os números divulgados pelos responsáveis pela produção, os cinco episódios anteriores somaram mais de 144 milhões de visualizações em diferentes redes sociais e plataformas digitais.

A série já contou com a participação de nomes como Juliette, Fábio Porchat, Luana Piovani, Camila Pitanga e Samara Felippo.

Entre os temas abordados estão a influência de instituições religiosas na política, propostas envolvendo áreas costeiras brasileiras, violência, direitos humanos e questões sociais.

Revelando é uma iniciativa da equipe do podcast Calma Urgente, com apoio do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil.

O futuro das riquezas brasileiras está em jogo

O lançamento de Pátria Submissa amplia a discussão sobre a capacidade do Brasil de administrar seus recursos naturais em um cenário internacional marcado pela concorrência tecnológica e pelas disputas geopolíticas.

Ao abordar o interesse norte-americano pelas terras raras e as relações políticas entre lideranças brasileiras e estrangeiras, o documentário coloca em evidência questões que merecem acompanhamento público e transparência.

Ao mesmo tempo, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada pelo governo Lula, estabelece instrumentos para incentivar a industrialização e ampliar os benefícios econômicos da atividade mineral no Brasil.

A questão fundamental é transformar esse potencial em resultados concretos para a sociedade, conciliando desenvolvimento econômico, autonomia nacional e proteção socioambiental.

Afinal, o verdadeiro desafio não é apenas decidir quem terá acesso às riquezas do Brasil, mas garantir que o país e sua população também se beneficiem delas.

Assista ao documentário Pátria Submissa, apresentado por Wagner Moura

O sexto episódio de Revelando já está disponível no YouTube e reúne a investigação apresentada por Wagner Moura, incluindo a entrevista com o general Santos Cruz.

Assista ao vídeo completo:

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